terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Frases de São João Clímaco

1. "O verdadeiro monge: o olhar da alma, imóvel; o sentido corporal, inabalável... uma luz que não se apaga aos olhos do coração".
2. "Aqueles cujo espírito aprendeu a orar, na verdade falam ao Senhor face a face, como os que falam ao ouvido do imperador; aqueles cuja boca ora, fazem lembrar os que se prostram diante do imperador, na presença de toda corte. Os que vivem no mundo, são os que dirigem sua súplica ao imperador, na balbúrdia de todo povo".
3. "Que vossa oração ignore toda multiplicidade: uma única palavra bastou ao Publicano e ao filho pródigo para obter o perdão".
4. "O grande herói da sublime e perfeita oração diz: 'prefiro dizer cinco palavras com a minha inteligência... '(1 Cor 14,19). As crianças pequenas não tem ideia disso: imperfeito como somos, com a qualidade também nos é necessária a quantidade. A segunda consegue para nós a primeira..."
5. "A solidão do corpo é a ciência e a paz da conduta e dos sentidos; a solidão da alma, a ciência dos pensamentos e um espírito inviolável. O amigo da solidão é um espírito de sentinela, valente e inflexível, sem sono, à porta do coração, para derrubar e matar os que se aproximam".
6. "O hesicasta é quem aspira a limitar o incorporal numa morada de carne. O gato aspira o ratinho; o espírito do hesicasta espreita o ratinho invisível".
7. "O monge tem necessidade de grande vigilância e de um espírito isento de agitação. O cenobita tem freqüentemente o apoio de um irmão; o monge, o de um anjo".
8. "Fechai a porta da cela a vosso corpo, a porta dos lábios às palavras, a porta interior aos sentido". 
9. "A obra da solidão (hesychia) é uma despreocupação total por todas as coisas, razoáveis ou não".
10. "Basta um fio de cabelo para embaralhar a vista; basta uma simples preocupação para dissipar a solidão (hesychia), pois a solidão é despojamento dos pensamentos e renúncia às preocupações razoáveis".
11. "Quem possui verdadeiramente a paz, não se preocupa mais com o próprio corpo".
12. "Quem quer apresentar a Deus um espírito purificado, e se deixa perturbar pelas preocupações, assemelha-se a alguém que tivesse entravado fortemente as pernas e pretendesse correr".
13. "É grande a utilidade da leitura para esclarecer e recolher o espírito".
14. "Procurai vossas luzes sobre a ciência da santidade, mais nos trabalhos do que nos livros".
16. "Quem se sente diante de Deus, do fundo do coração, será como uma coluna imóvel durante a oração".
17. "O monge que vela é um pescador de pensamentos; sabe distingui-los sem dificuldade, na calma da noite, e apanhá-los".
18. "Nada de rebuscamento nas palavras de vossa oração: quantas vezes os balbucios simples e monótonos das crianças fazem o pai ceder!"
19. "Não vos entregueis a longos discursos, para que vosso espírito não se dissipe na procura das palavras. Uma única palavra do Publicano comoveu a misericórdia de Deus; uma única palavra cheia de fé salvou o Ladrão".
20. "A prolixidade na oração freqüentemente enche o espírito de imagens e o dissipa, enquanto muitas vezes o efeito de uma única palavra (monologia) é recolhê-lo".
21. "Senti-vos consolados e enternecidos por uma palavra da oração? Parai nessa palavra; isso quer dizer que o nosso anjo da guarda então ora conosco".
22. "Nada de segurança demais, mesmo tento conseguido a pureza; mas, sim, uma grande humildade, e sentireis então maior confiança".
23. "Quando vos tiverdes revestido da doçura da ausência de ira, não vos será mais muito custoso libertar vosso espírito do cativeiro".
24. "Trabalhai para elevar o vosso pensamento, ou melhor, para recolhê-lo nas palavras de vossa oração; se a fraqueza da inância o faz cair, levantai-o".
25. "O primeiro degrau da oração consiste em expulsar, por meio de um pensamento (ou uma palavra) simples e fixo (monologicamente), as sugestões, no momento mesmo em que se manifestam. O segundo, em conservar nosso pensamento unicamente no que dizemos e pensamos".
26. "Ressuscitados do amor pelo mundo e pelos prazeres, afastai as preocupações, despojai-vos dos pensamentos, renunciai ao corpo, uma vez que a oração nada mais é que um exílio do mundo visível e invisível".
27. "Não se aprende a ver; é um efeito da natureza. A beleza da oração também não se aprende através do ensinamento. Ela tem em si própria o seu mestre; Deus 'que ensina ao homem o saber' (Sl 94,10) dá a oração e abençoa os anos dos justos".

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Quem foi São João Clímaco?

São João Clímaco nasceu em 580. Clímaco foi um monge do Monte Sinai, e deve o seu cognome a um livro seu, Escada (Klímax - Clímaco). A Escada é um resumo da vida espiritual, concebida para os solitários e contemplativos. Para Clímaco, a oração é a mais alta expressão da vida solitária; ela se desenvolve pela eliminação das imagens e dos pensamentos. Daí a necessidade da 'monologia', isto é, a invocação curta, de uma só palavra, incansavelmente repetida, que paralisa a dispersão do espírito. Essa repetição deve assimilar-se com a respiração.
João Clímaco faleceu por volta do ano 650.
O nome de São João Clímaco é uma alusão à palavra "klímax', que em grego significa escada. São João decidiu adotar este nome em virtude do livro escrito por ele mesmo, intitulado Escada para o Paraíso.
Nesta obra ele explica que existem 30 degraus a serem galgados para que possamos atingir a perfeição moral. Este livro foi um grande sucesso na época e chegou até mesmo a influenciar monges e outros religiosos cm sua conduta particular, tanto no Ocidente como no Oriente. A importância desta obra literária para a época pode ser notada na utilização do símbolo escada na arte bizantina.
São João Clímaco foi muito famoso como homem santo em toda a Palestina e Arábia. Viveu por volta do ano 650 e morreu no Monte Sinai.
Conta-se que ele era palestino e na adolescência ingressou cm um mosteiro no Monte Sinai, onde passou a dedicar sua vida às orações e à meditação. Até os 35 anos viveu desta forma, mas quando seu mestre faleceu resolveu encerrar-se cm uma cela e viver à moda dos monges do deserto: jejuando, orando e estudando a Bíblia.
Durante este novo período de sua vida São João Clímaco decidiu nunca mais comer carne, fosse ela vermelha ou branca. Também passou a sair de sua cela apenas para participar da Eucaristia, aos domingos.
Já com 70 anos foi eleito bispo do Monte Sinai, muito embora preferisse continuar com sua vida isolada. Nesta época construiu hospitais para a população mais pobre, ajudado pelo papa Gregório Magno.
Os últimos quatro anos de sua vida foram dedicados a viver como ermitão. Neste período de total isolamento ele escreveu Escada para o Paraíso.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Ditos dos Padres do deserto


1. Perguntaram ao Pai Ammonas: «Qual é o caminho estreito e apertado?» (Mt 7,14). Ele respondeu: «O caminho estreito e apertado é este, controlar seus pensamentos e despojar-se de sua própria vontade por amor de Deus». Também isto é o significado da sentença: «Senhor, eis que deixamos tudo e te seguimos.» (Mt 19, 27)

2. Diziam dele que havia como que uma depressão escavada em seu peito, pelas lágrimas que caíram de seus olhos durante toda sua vida, enquanto ele fazia seu trabalho manual. Quando Pai Poemen viu que ele estava morto, disse chorando: «Verdadeiramente você é abençoado, Pai Arsenius, pois você chorou por si mesmo nesse mundo! Quem não chora por si mesmo aqui embaixo, chorará eternamente então; por isso é impossível não chorar, voluntariamente ou quando obrigado pelo sofrimento.» (i. e. o sofrimento derradeiro no inferno).

3. Também era dito dele (Pai Arsenius) que nas noites de sábado, preparando-se para a glória do domingo, ele virava-se de costas para o sol e elevava suas mãos em oração em direção ao céu, até que o sol novamente brilhasse em sua face. Então ele se sentava.

4. Dizia-se do Pai Ammoes que quando ele ia à igreja, não permitia que seu discípulo caminhasse ao seu lado mas a uma certa distância; e se esse último viesse lhe perguntar sobre seus pensamentos, ele se afastava dele logo após responder-lhe: «É por receio que, após tão edificantes palavras, sobrevenham conversas irrelevantes, que eu não permito que caminhes comigo.»

5. Foi dito de Pai Ammoes, que ele possuía cinqüenta medidas de trigo para seu uso e as colocara para fora, ao sol. Antes que elas estivessem devidamente secas, ele viu algo naquele lugar que lhe pareceu perigoso, então disse aos seus empregados: «Vamo-nos embora desse lugar.» Porém, eles pareceram aflitos com isso. Vendo seu desalento ele lhes disse: «É por causa dos pães que vocês estão tão tristes? Na verdade, tenho visto monges fugindo, deixando suas celas lavadas e também seus pergaminhos e eles nem fecharam as janelas, mas deixaram-nas abertas.»

6. Pai Abraão disse de um homem de Scete que era um escriba e não comia pão. Um irmão veio a ele para copiar um livro. O velho homem cujo espírito estava absorto em contemplação, escreveu, porém omitindo algumas frases e sem pontuação. O irmão, tomando o livro e desejando pontuá-lo, notou que faltavam palavras. Então disse ao ancião: «Pai, faltam algumas palavras.» O ancião disse a ele: «Vá e pratique primeiro o que está escrito, depois volte e eu escreverei o restante.»
7. Havia nas celas um velho homem chamado Apollo. Se aparecia alguém chamando-o para ajudar em alguma tarefa, ele ia alegremente, dizendo: «Vou trabalhar com Cristo hoje, pela salvação de minha alma, pois esta é a recompensa que Ele dá.»

8. Pai Doulas, discípulo de Pai Bessarion disse: «Um dia, quando estávamos caminhando ao longo da praia, eu estava sedento e disse ao Pai Bessarion, 'Pai, estou com sede'. Ele rezou e disse-me, 'Beba um pouco da água do mar.' A água estava doce e eu bebi. Cheguei a pegar um pouco numa garrafa de couro, pois tive medo de ficar sedento mais tarde. Vendo isto, o velho homem perguntou-me porque eu estava levando água. Eu disse a ele: 'perdoe-me, é por medo de ficar com sede mais tarde.' E o ancião disse: 'Deus está aqui, Deus está em todo lugar'.»

9. Um irmão perguntou ao Pai Poemen desta maneira: «Meus pensamentos me atormentam, fazendo com que eu deixe de lado meus pecados e me preocupe com as faltas de meus irmãos.» O ancião contou-lhe a seguinte estória sobre Pai Dioscurus (o monge): «Na sua cela ele chorava por si mesmo, enquanto seu discípulo se sentava eu outra cela. Quando este último veio ver o ancião perguntou-lhe: 'Pai, por que choras?' 'Estou chorando pelos meus pecados', respondeu-lhe o velho homem. Ao que o discípulo disse: 'Você não tem nenhum pecado, Pai.' O ancião replicou, 'É verdade, meu filho, se eu pudesse ver meus pecados, três ou quatro homens não seriam suficientes para chorar por eles'.»

10. Isto é o que disse Pai Daniel, o Faranita: «Nosso Pai Arsenius nos contou sobre um habitante de Scetis, de vida digna e fé simples; pela sua ingenuidade, ele foi enganado e disse, 'O pão que recebemos não é verdadeiramente o Corpo de Cristo, mas um símbolo'. Dois anciãos souberam que ele dissera aquilo, conhecendo seu modo de vida correto acreditaram que ele não falara por malícia, mas por simplicidade. Então, vieram a ele e disseram: '"Pai, ouvimos da parte de alguém uma proposição contrária à fé, que disse que o pão que recebemos não é verdadeiramente o corpo de Cristo, mas um símbolo.' O ancião disse: 'fui eu quem disse isso.' Então os outros dois o exortaram dizendo: 'Não mantenha essa crença, Pai, mas aquela em conformidade com o que a igreja Católica nos deu. Acreditamos, de nossa parte, que o pão por si mesmo é o Corpo de Cristo, como no início, Deus formou o homem à sua imagem, tomando do pó da terra, sem que ninguém possa dizer que ele não é a imagem de Deus, mesmo que não pareça. Do mesmo modo, com o pão do qual ele disse, 'este é Meu Corpo'. Assim nós cremos que é verdadeiramente o Corpo de Cristo.' O ancião disse-lhes: 'Enquanto eu não for convencido pela coisa em si, não estarei completamente convicto.' Então eles disseram: 'Vamos rezar a Deus sobre este mistério por toda a semana e acreditamos que Deus vai nos revelar isto.' O ancião ouviu isso com alegria e rezou nessas palavras: 'Senhor, vós sabeis que não é por malícia que eu não creio, e, de maneira que eu não erre por ignorância, revele isto a mim, Senhor Jesus Cristo.' Os dois homens voltaram a suas celas e rezaram também a Deus, dizendo: 'Senhor Jesus Cristo, revele esse mistério a esse homem de modo que ele creia e não perca sua recompensa.' Deus ouviu suas preces. Ao final da semana eles vieram à igreja no domingo e se sentaram todos os três no mesmo tapete, o ancião no meio. Em seguida seus olhos se abriram e quando o pão foi colocado na mesa sagrada, aparecia-lhes uma criança pequena, sozinha. E quando o sacerdote estendeu a mão para partir o pão, viram um anjo descer do céu com uma espada e servir o sangue da criança no cálice. Quando o padre partiu o pão em pedacinhos, o anjo também cortou a criança em pedaços. Quando se aproximaram para receber os sagrados elementos o ancião sozinho recebeu um pedaço da carne sangrenta. Vendo isto, ficou com medo e gritou: 'Senhor, eu creio que isto é Vosso Corpo e este cálice Vosso Sangue!' Imediatamente a carne que ele segurava em suas mãos se tornou pão, de acordo com o mistério e ele o tomou dando graças a Deus. Em seguida os dois homens lhe disseram: 'Deus conhece a natureza humana e sabe que o homem não pode comer carne crua e é por isso que ele mudou Seu Corpo em pão e seu Sangue em vinho, para aqueles que o recebem na fé.' Em seguida, deram graças a Deus pelo ancião, porque Ele não permitiu que o mesmo perdesse a recompensa pelo seu trabalho. Então, todos três retornaram com alegria para suas celas.»

11. Dizia-se que Pai Helladius passou vinte anos em sua cela, sem sequer elevar os olhos para ver o telhado da Igreja.

12. Pai Epifânio acrescentou: «Um homem que recebe algo de outro por causa de sua pobreza ou sua necessidade tem aí sua recompensa e porque ele se envergonha, quando ele paga, ele o faz em segredo. Mas o oposto faz Deus; Ele recebe em segredo, mas paga na presença dos anjos, dos arcanjos e dos justos.»

13. Era dito do Pai Agathon que alguns monges vieram procurá-lo, tendo ouvido falar de seu grande discernimento. Desejando ver se ele perdia a paciência disseram-lhe: «Você não é aquele do qual dizem ser um grande fornicador e um homem orgulhoso?» «Sim, é verdade», ele respondeu. Eles continuaram: «Você não é aquele Agathon que está sempre dizendo bobagens?» «Sou eu.» Novamente, eles disseram: «"Você não é Agathon, o herético?» Ao que ele replicou: «Eu não sou um herético.» Então eles perguntaram-lhe: «Diga-nos: porque você aceitou tudo que atiramos sobre você, mas repudiou este último insulto.» Ele replicou: «As primeiras acusações tomei para mim, pois é bom para minha alma. Mas heresia é separação de Deus. Vejam, eu nada tenho para ser separado de Deus.» A este dito, eles ficaram surpresos pelo seu discernimento e retornaram, edificados.

sábado, 9 de dezembro de 2017

O que é um Anacoreta?

A origem da palavra anacoreta vem do latim anachorita, do grego anakhoretés, “pessoa afastada do convívio social”, de anakhorein, “retirar-se”; formada por aná, “para trás”, mais khorein, “ceder”.
Os anacoretas eram monges cristãos ou eremitas que viveram em retiro, solitariamente, especialmente nos primórdios do cristianismo, dedicando-se à oração e à produção de textos litúrgicos, a fim de alcançar um estado de graça e pureza de alma pela contemplação.
O termo anacoreta também é utilizado para denominar um penitente que se afastou do convívio humano para viver em solidão, procurando expiar seus pecados pela meditação.
Como exemplos de anacoretas reconhecidos pela Igreja Católica podem ser citados Santo Antão do Deserto e Santo Afraates, da Igreja Siríaca.
O “anacoreta” é  usado como sinônimo de eremita. No entanto, a vida de anacoreta, embora semelhante à vida eremítica, também pode ser distinta. O anacoreta na Idade Média era uma vocação comum. Eremitas e anacoretas viveram a vida religiosa na solidão de um “eremitério”, geralmente uma cabana ou “célula” (cela) construída junto a uma igreja. A porta era emparedada em cerimônia especial realizada pelo bispo local. O anacoreta participava na liturgia, ouvindo o serviço e recebia a sagrada Comunhão. Existia outra janela direcionada para a rua, permitindo que os vizinhos fizessem caridade para entregar comida e outras necessidades.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Eremita: Conceitos e definições


O significado de eremita é: o indivíduo que reside em lugar deserto e isolado. Eremita também é chamado de ermitão.
A palavra eremita vem do grego eremites, que significa "gente do deserto", de eremia, que significa "deserto, solidão", que por sua vez vem de eremos, que significa "desabitado".
"O eremita, segundo o Cân 603 § 2 é um fiel que não pertence a nenhum instituto de vida consagrada e vive uma vida eremítica com certa estabilidade" (Dicionário de Direito Canônico).
Um eremita ou ermitão é um indivíduo que, usualmente por penitência ou religiosidade, ou simplesmente por amor à natureza, vive em lugar deserto, isolado. O local de sua morada é designado eremitério. Na história da Igreja Católica há um capítulo importante sobre os eremitas e o desenvolvimento da vida monástica, com destaque para Santo Antão do deserto.
O eremitismo apresenta dois momentos fortes de expansão: o primeiro na Antiguidade, nos séculos III e IV e o segundo na Idade Média, nos séculos XII e XIII.
O primeiro período, entre os séculos III e IV, assiste o surgimento da espiritualidade dos Padres do Deserto, que buscavam através de um estilo de vida austero e contemplativo a união com Deus no deserto do Egito. Eles atraíam muitos seguidores para seus retiros, direção espiritual e conselhos. Estão na raiz do monaquismo oriental. Santo Antão tornou-se um modelo destes Padres.
No século XII, o eremitismo se desenvolveu através de três vertentes: a primeira vem da pregação, geralmente, dirigida aos grupos mais necessitados espiritualmente, como os leprosos e as mulheres, ressaltando a questão da pobreza, a  segunda que os eremitas estabelecessem vínculos com um mosteiro, e, a última, requeria uma vida de penitência e isolamento rigoroso.
Para a religião cristã, o eremita é importante pela busca em reviver os dias que Jesus Cristo passou isolando-se no deserto.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

O Advento

Advento (do latim Adventus: "chegada", do verbo Advenire: "chegar a") é o primeiro tempo do Ano litúrgico, o qual antecede o Natal. Para os cristãos, é um tempo de preparação e alegria, de expectativa, onde os fiéis, esperando o Nascimento de Jesus Cristo , vivem o arrependimento e promovem a fraternidade e a paz. No calendário religioso este tempo corresponde às quatro semanas que antecedem o Natal.
O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado.
O Advento começa exatamente quatro domingos antes do Natal e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus.
Esse tempo possui duas características: Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, no final dos tempos. As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de Dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós. Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa. Uma das expressões desta alegria é o canto das chamadas "Antífonas do Ó".
O início do advento é conhecido tradicionalmente como o dia "certo" para montar a árvore de natal.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Santa Clara de Assis


Santa Clara, “Clara de nome e claríssima por suas virtudes”, buscando seguir perfeitamente as pegadas do Cristo pobre, a exemplo de São Francisco, ansiava por uma vida de virtudes e valores sólidos que pudessem preencher seu ser em toda sua plenitude. O centro de sua vida foi preenchido por Jesus Cristo.
Na clausura de São Damião, Clara com suas filhas e irmãs, não temia a austeridade, a pobreza e os desprezos do mundo. O mesmo Cristo que era seu exemplo era também sua força. Sua vida foi uma constante intimidade com o Senhor, seu Esposo, por isso nela tudo era olhar fixo na meta, considerar, contemplar... Aquele que era seu amor, a causa principal daquela reunião de mulheres, que deixando o século, desejavam bens maiores e eternos.
Uma vida marcada pela oração silenciosa, amor à cruz, fraternidade alegre e tantas outras incontáveis virtudes. Clara é modelo para todos, homens e mulheres, que desejam seguir a Cristo nos dias de hoje, pois, sendo mestra de vida espiritual, seus ensinamentos, embora ditado a tantos séculos, são sempre atuais.    

São Francisco e os estigmas da Paixão


       
São Francisco de Assis, um dos Santos mais populares, “famosos” da Igreja, apesar de se terem passado já mais de 800 anos, sua história e seus ensinamentos continuam ainda vivos ente nós. Seu legado continua vivo em nosso meio, pois foi uma criatura que se deixou amar por Deus e, este amor, sendo verdadeiro, foi também eternizado. São Francisco acreditava nesse amor e, mesmo na pobreza, sabia que Cristo não tirava nada, mas acrescentava.
Em sua vida, São Francisco mostrava que “sua maior intenção, seu desejo principal e plano supremo era observar o Evangelho em tudo e por tudo, imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os passos de nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina” (Tomas de Celano). Com isso, em um dado momento, percebeu que seu Salvador queria uni-lo, ou assemelhá-lo mais estreitamente a Ele, mais intimamente aos seus sofrimentos.
Com a experiência vivida no Monte Alverne, o Santo reconheceu os traços do Divino Crucificado. Em êxtase, recebeu revelações que nunca quis contar. Os mistérios de amor não se divulgam. Mas percebeu uma transformação nele: em seu corpo estavam gravados os sagrados estigmas da Paixão. 
São Francisco amou profundamente a Cristo, pobre e crucificado, vivendo na sua imitação. “Não sou mais eu quem vive, é Cristo que vive em mim” (São Paulo). Este é o desejo que consome as almas místicas: despojar-se de sua própria identidade e unir-se àquela do objeto amado. O amor modifica, simplifica, amplifica. Isso ele bem mostrou em sua vida – amando a Deus e à Ele em suas criaturas, nos irmãos - que o amor é uma escolha e um chamado para longe, pois, coração e braços unidos não somente somam, mas multiplicam.

O que só aos pequenos é dado saber

       
Se toda criatura humana se preocupasse em revisar sua pequenez diante de Deus, muita coisa mudaria. Em Deus, o nada que somos reconhece a grandeza, a eternidade, a bondade do Criador para com todas as suas criaturas. Muitos querem não aceitar esta realidade, no entanto, como criaturas de Deus, precisamos d’Ele e mais além, como criaturas e filhos adotivos d’Ele fomos concebidos com um plano de amor que inclui o fato de vivermos em sociedade e de dependermos uns dos outros. Reconhecer nossa pequenez é também aceitar com alegria e resignação as cruzes do dia a dia, aqueles momentos em que só Deus é capaz de nos dar a alegria verdadeira.
Muitas das vezes, na nossa vida diária, as tribulações nos visitam! Deus mesmo as permite em muitas ocasiões, para que domemos essa vontade humana de nunca aceitar que erramos, que não somos capazes de tudo.
É próprio da natureza do homem acreditar que ele é capaz de tudo, de que pode querer decidir tudo, saber tudo, fugindo assim dos limites. Essa tentação de querer que a vida se desenrole a nosso modo, de acordo com nossos desejos, faz-nos esquecer que precisamos irradiar a Deus em nós. A este cuidado advertia a seus frades São Francisco de Assis: “Tome cuidado com a sua vida! Talvez ela seja o único Evangelho que as pessoas lêem!”
O exemplo mais clássico dessa humildade e pequenez à vontade divina é Maria, Mãe do Senhor. “Ele olhou para a pequenez de sua serva e por isso todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1, 48). E essa tão nobre virtude de Maria foi imensamente recompensada por Deus: De filha, tornou-se Mãe; de serva, tornou-se Rainha.
Que possamos sempre reconhecer nossa dependência de Deus, sobretudo nos momentos de aflições. “Vinde a Mim... e Eu vos aliviarei” (Mt 11, 28). Ele sabe tirar do nosso nada o que melhor nos convém, se a Ele nos voltarmos com confiança. E que no nosso dia a dia possamos irradiar sempre essa presença de Deus em nós! O seu rosto, não o nosso; a sua pobreza e não a nossa aparente riqueza, pois é a Ele a quem servimos.

O Testamento de São Francisco de Assis


No começo do movimento franciscano, quando São Francisco ainda vivia entre os primeiros irmãos, mesmo tendo já escrito uma Regra de vida para seus confrades e para a nova comunidade religiosa que surgia na Igreja, ele escreveu também um testamento a fim de guiar, orientar e conduzir o modo de ser e a espiritualidade dos “Irmãos Menores”, na vida em fraternidade, no meio às demais pessoas na sociedade e na Igreja, pois, na sua visão, temia que a nova comunidade desviasse da rota, de seu ideal proposto.


O Testamento, que foi pensado e refletido por vários meses por São Francisco e seu pequeno grupo de frades, não deve ser entendido como uma única manifestação mais ardente dos desejos do Santo para sua comunidade, pois, como ele mesmo diz no versículo 34, “... e não digam os irmãos: esta é uma outra Regra, porque esta é uma recordação, uma admoestação, uma exortação, (...), para que observemos mais catolicamente a Regra que prometemos ao Senhor”, seria, penso, um complemento independente da Regra já aprovada, mostrando com isso o verdadeiro valor dos ideais originais, a vivência mais perfeita da Regra e dos Santos Evangelhos, e para serem fiéis seguidores de Cristo, na Igreja e na sociedade, garantindo, assim, no futuro, a sobrevivência do seu ideal.

Testamento

1. Foi assim que o Senhor concedeu a mim, Frei Francisco, iniciar uma vida de penitência: como estivesse em pecado, parecia-me deveras insuportável olhar para leprosos.
2. E o Senhor mesmo me conduziu entre eles e eu tive misericórdia com eles.
3. E enquanto me retirava deles, justamente o que antes me parecia amargo se me converteu em doçura da alma e do corpo. E depois disto demorei só bem pouco e abandonei o mundo.
4. E o Senhor me deu tanta fé nas igrejas que com simplicidade orava e dizia:
5. ‘Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo aqui e em todas as vossas igrejas que estão no mundo inteiro, e vos bendizemos porque por vossa santa cruz remistes o mundo’.
6. E o Senhor me deu e ainda me dá tanta fé nos sacerdotes que vivem segundo a forma da santa Igreja Romana, por causa de suas ordens, que, mesmo que me perseguissem, quero recorrer a eles.
7. E se tivesse tanta sabedoria quanta teve Salomão e encontrasse míseros sacerdotes deste mundo – nas paróquias em que eles moram não quero pregar contra a vontade deles.
8 E hei de respeitar, amar e honrar a eles e a todos os outros como a meus senhores.
9. Nem quero olhar para o pecado deles porque neles reconheço o Filho de Deus e eles são os meus senhores.
10. E procedo assim porque do mesmo altíssimo Filho de Deus nada enxergo corporalmente neste mundo senão o seu santíssimo corpo e sangue, que eles consagram e somente eles administram aos outros.
11. E quero que estes santíssimos mistérios sejam honrados e venerados acima de tudo em lugares preciosos.
12. E onde quer que encontre em lugares inconvenientes os seus santíssimos nomes e palavras escritos, quero recolhê-los e peço que sejam recolhidos e guardados em lugar decente.
13. E devemos honrar e respeitar todos os teólogos e os que nos ministram as santíssimas palavras divinas como a quem nos ministra espírito e vida.
14. E depois que o Senhor me deu irmãos ninguém me mostrou o que eu deveria fazer, mas o Altíssimo mesmo me revelou que eu devia viver segundo a forma do santo Evangelho.
15. E eu o fiz escrever com poucas palavras e de modo simples e o Senhor Papa confirmou.
16. E os que vinham para abraçar este gênero de vida distribuíam aos pobres o que acaso possuíam. E eles se contentavam com uma só túnica remendada por dentro e por fora, com um cíngulo e as calças.
17. E mais não queríamos ter.
18. Nós clérigos recitávamos o oficio divino como os demais clérigos; os leigos diziam os pai-nossos. E gostávamos muito de estar nas igrejas.
19. Éramos iletrados e nos sujeitávamos a todos.
E eu trabalhava com as minhas mãos e quero trabalhar.
20. E quero firmemente que todos os outros irmãos se ocupem num trabalho honesto.
21. E os que não souberem trabalhar o aprendam, não por interesse de receber o salário do trabalho, mas por causa do bom exemplo e para afastar a ociosidade.
22. E se acaso não nos pagarem pelo trabalho vamos recorrer à mesa do Senhor e pedir esmola de porta em porta.
23. Como saudação, revelou-me o Senhor que disséssemos: ‘O Senhor te dê a paz’.
24. Evitem os irmãos aceitar, sob qualquer pretexto, igrejas, modestas habitações e tudo o que for construído para eles se não estiver conforme com a santa pobreza que prometemos pela Regra, demorando nelas sempre como forasteiros e peregrinos.
25. Mando severamente sob obediência a todos os irmãos, onde quer que estejam, que não se atrevam a pedir à Cúria Romana algum rescrito, nem por si nem por pessoa intermediária, em favor duma igreja ou de outro lugar qualquer, nem sob o pretexto de pregação, nem por causa de perseguição corporal.
26. Ao contrário, sempre que não forem aceitos em alguma parte, fujam para outra terra para ali fazer penitência com a bênção de Deus.
27. E quero firmemente obedecer ao ministro geral desta fraternidade e ao guardião que lhe aprouver dar-me.
28. E de tal modo quero estar como prisioneiro em suas mãos que fora da obediência a ele ou contra sua vontade, eu não possa ir a parte alguma nem empreender nada, porque ele é o meu senhor.
29. E embora eu seja simples e enfermo quero contudo ter sempre junto de mim um clérigo que reze comigo o ofício segundo manda a Regra.
30. E todos os outros irmãos estejam obrigados a obedecer de igual modo aos seus guardiães e a rezar o ofício segundo manda a Regra.
31. E se acaso houver quem não reze o ofício segundo o preceito da Regra e introduzir um modo diferente ou não seja católico, todos os irmãos, onde quer que estiverem e acharem um deles, são obrigados sob obediência a levá-lo ao custódio mais próximo do lugar onde o tiverem encontrado.
32. E o custódio esteja gravemente obrigado sob obediência a mantê-lo sob guarda severa como prisioneiro, dia e noite, de modo que não possa escapar de suas mãos, até que o entregue pessoalmente às mãos de seu ministro.
33. Também o ministro esteja gravemente obrigado sob obediência a enviá-lo por tais irmãos que o guardem dia e noite como um preso, até que o apresentem ao senhor de Óstia, que é o senhor, protetor e corretor de toda a fraternidade.
34. E não digam os irmãos: ‘Isto é uma outra Regra’, porque isto é uma recordação, uma admoestação, uma exortação e meu testamento, que eu, Frei Francisco, o menor de todos, deixo para vós, meus irmãos benditos a fim de que possamos observar mais catolicamente a Regra que prometemos ao Senhor.
35. E o ministro geral e todos os demais ministros e custódios estejam obrigados sob obediência a nada acrescentar a estas palavras nem tirar coisa alguma.
36. E tenham sempre consigo este escrito, junto à Regra.
37. E em todos os capítulos que fizerem, leiam também estas palavras quando lerem a Regra.
38. E ordeno severamente sob obediência a todos os irmãos, clérigos e leigos, que não façam glosas à Regra nem a estas palavras dizendo:
39. ‘Assim é que devem ser entendidas’. Mas, como o Senhor me concedeu dizer e escrever de modo simples e claro a Regra e estas palavras, assim as entendais, com simplicidade e sem comentário e observai-as com santo fervor até o fim.
40. E todo aquele que as observar seja no céu cumulado com a bênção do altíssimo Pai, e seja cumulado na terra com a bênção de seu dileto Filho em unidade com o Espírito Santo Paráclito, com todas as virtudes do céu e todos os santos.
41. E eu, Frei Francisco, o menor de vossos servos, vos confirmo, quanto posso, interior e exteriormente, esta santíssima bênção. Amém.