1.
"O verdadeiro monge: o olhar da alma, imóvel; o sentido corporal,
inabalável... uma luz que não se apaga aos olhos do coração".
2.
"Aqueles cujo espírito aprendeu a orar, na verdade falam ao Senhor face a
face, como os que falam ao ouvido do imperador; aqueles cuja boca ora, fazem
lembrar os que se prostram diante do imperador, na presença de toda corte. Os
que vivem no mundo, são os que dirigem sua súplica ao imperador, na balbúrdia
de todo povo".
3.
"Que vossa oração ignore toda multiplicidade: uma única palavra bastou ao
Publicano e ao filho pródigo para obter o perdão".
4.
"O grande herói da sublime e perfeita oração diz: 'prefiro dizer cinco palavras
com a minha inteligência... '(1 Cor 14,19). As crianças pequenas não tem ideia disso: imperfeito como somos, com a qualidade também nos é necessária a
quantidade. A segunda consegue para nós a primeira..."
5.
"A solidão do corpo é a ciência e a paz da conduta e dos sentidos; a
solidão da alma, a ciência dos pensamentos e um espírito inviolável. O amigo da
solidão é um espírito de sentinela, valente e inflexível, sem sono, à porta do
coração, para derrubar e matar os que se aproximam".
6.
"O hesicasta é quem aspira a limitar o incorporal numa morada de carne. O
gato aspira o ratinho; o espírito do hesicasta espreita o ratinho
invisível".
7.
"O monge tem necessidade de grande vigilância e de um espírito isento de
agitação. O cenobita tem freqüentemente o apoio de um irmão; o monge, o de um
anjo".
8.
"Fechai a porta da cela a vosso corpo, a porta dos lábios às palavras, a
porta interior aos sentido".
9.
"A obra da solidão (hesychia) é uma despreocupação total por todas as
coisas, razoáveis ou não".
10.
"Basta um fio de cabelo para embaralhar a vista; basta uma simples
preocupação para dissipar a solidão (hesychia), pois a solidão é despojamento
dos pensamentos e renúncia às preocupações razoáveis".
11.
"Quem possui verdadeiramente a paz, não se preocupa mais com o próprio
corpo".
12.
"Quem quer apresentar a Deus um espírito purificado, e se deixa perturbar
pelas preocupações, assemelha-se a alguém que tivesse entravado fortemente as
pernas e pretendesse correr".
13.
"É grande a utilidade da leitura para esclarecer e recolher o
espírito".
14.
"Procurai vossas luzes sobre a ciência da santidade, mais nos trabalhos do
que nos livros".
16.
"Quem se sente diante de Deus, do fundo do coração, será como uma coluna
imóvel durante a oração".
17.
"O monge que vela é um pescador de pensamentos; sabe distingui-los sem
dificuldade, na calma da noite, e apanhá-los".
18.
"Nada de rebuscamento nas palavras de vossa oração: quantas vezes os
balbucios simples e monótonos das crianças fazem o pai ceder!"
19.
"Não vos entregueis a longos discursos, para que vosso espírito não se
dissipe na procura das palavras. Uma única palavra do Publicano comoveu a
misericórdia de Deus; uma única palavra cheia de fé salvou o
Ladrão".
20.
"A prolixidade na oração freqüentemente enche o espírito de imagens e o
dissipa, enquanto muitas vezes o efeito de uma única palavra (monologia) é
recolhê-lo".
21.
"Senti-vos consolados e enternecidos por uma palavra da oração? Parai
nessa palavra; isso quer dizer que o nosso anjo da guarda então ora
conosco".
22.
"Nada de segurança demais, mesmo tento conseguido a pureza; mas, sim, uma
grande humildade, e sentireis então maior confiança".
23.
"Quando vos tiverdes revestido da doçura da ausência de ira, não vos será
mais muito custoso libertar vosso espírito do cativeiro".
24.
"Trabalhai para elevar o vosso pensamento, ou melhor, para recolhê-lo nas
palavras de vossa oração; se a fraqueza da inância o faz cair,
levantai-o".
25.
"O primeiro degrau da oração consiste em expulsar, por meio de um
pensamento (ou uma palavra) simples e fixo (monologicamente), as sugestões, no
momento mesmo em que se manifestam. O segundo, em conservar nosso pensamento
unicamente no que dizemos e pensamos".
26.
"Ressuscitados do amor pelo mundo e pelos prazeres, afastai as
preocupações, despojai-vos dos pensamentos, renunciai ao corpo, uma vez que a
oração nada mais é que um exílio do mundo visível e invisível".
27.
"Não se aprende a ver; é um efeito da natureza. A beleza da oração também
não se aprende através do ensinamento. Ela tem em si própria o seu mestre; Deus
'que ensina ao homem o saber' (Sl 94,10) dá a oração e abençoa os anos dos
justos".










